Glossário de termos relacionados com o clima

Adaptação:

Ajuste dos sistemas naturais ou humanos a um ambiente novo ou em mudança. Por adaptação às alterações climáticas entende-se o ajuste dos sistemas naturais ou humanos, em resposta a estímulos e efeitos climáticos, observados ou previstos, com o objetivo de minimizar efeitos adversos ou explorar oportunidades benéficas.

Avaliação da adaptação:

Prática para a identificação de opções que permitam a adaptação às alterações climáticas e a avaliação dessas opções em termos de critérios, tais como disponibilidade, vantagens, custos, eficácia, eficiência e viabilidade.

Aerossóis:

Grupo de partículas sólidas ou líquidas transportadas pelo ar, com um tamanho entre 0,01 e 10 mm, que se mantêm na atmosfera durante várias horas. Os aerossóis podem influenciar o clima diretamente, por dispersão e absorção de radiação, ou indiretamente ao atuarem como núcleos de condensação na formação de nuvens ou ao modificarem as propriedades óticas e o tempo de vida das nuvens.

Atmosfera:

Camada gasosa que envolve a Terra. A atmosfera seca é formada quase totalmente por azoto (78,1% do volume do ar) e por oxigénio (20,9% do volume do ar), junto com uma série de pequenas quantidades de outros gases como o argão (0,93% do volume do ar), o hélio e gases radiativos com efeito de estufa como o dióxido de carbono (0,035% do volume do ar) e o ozono. Adicionalmente, a atmosfera contém vapor de água, cuja quantidade é variável, rondando normalmente 1% do volume do ar. A atmosfera também contém nuvens e aerossóis.

Biodiversidade:

Quantidade e abundância relativa de diferentes genes (diversidade genética), espécies e ecossistemas (comunidades) numa determinada zona.

Biosfera:

Parte do sistema terrestre que compreende todos os ecossistemas e organismos vivos na atmosfera, na terra (biosfera terrestre) ou nos oceanos (biosfera marinha), incluindo a matéria orgânica morta derivada (por exemplo, lixo, matéria orgânica no solo e detritos oceânicos).

Bacia hidrográfica:

Área de captação e drenagem de águas pluviais.

Alterações climáticas:

Por alterações climáticas entende-se uma variação estatisticamente significativa nas condições climáticas médias ou na sua variabilidade que persiste durante um período de tempo prolongado, geralmente décadas ou mais tempo.

Resposta climática:

Mecanismo de interação entre processos no sistema climático. Normalmente, o resultado de um processo inicial desencadeia alterações num segundo processo que, por sua vez, influencia (intensifica ou reduz) o processo original.

Avaliação de impacte climático:

Prática para a identificação e avaliação das consequências negativas e positivas das alterações climáticas para os sistemas humanos e naturais. Estes sistemas podem ser simplificados em setores, tais como agricultura, saúde, água, alimentação e segurança, etc.

Impacte climático:

Consequências das alterações climáticas para os sistemas humanos e naturais. Conforme a medida de adaptação, pode distinguir-se entre impactes potenciais e impactes residuais. O impactes potenciais podem ocorrer caso se verifique uma dada projeção climática, sem ter em conta as medidas de adaptação. Por sua vez, os impactes residuais referem-se aos impactes de alterações climáticas, que podem ocorrer depois de tomadas as medidas de adaptação.

Modelo climático:

Representação numérica do sistema climático baseada nas propriedades físicas, químicas e biológicas dos seus componentes, suas interações e processos de resposta, tendo em conta todas ou algumas das suas propriedades conhecidas.

Previsão climática:

Resultado de uma tentativa de produzir a descrição (ou estimativa) mais provável da evolução real do clima no futuro. As escalas temporais da previsão podem ser sazonais, interanuais ou a longo prazo.

Projeção climática:

A resposta calculada do sistema climático a emissões (ou cenários de concentrações de gases com efeito de estufa) e aerossóis (ou cenários de força radiativa), frequentemente baseada em simulações de modelos climáticos. As projeções climáticas baseiam-se em pressupostos incertos sobre desenvolvimentos futuros na área.

Cenário climático:

Representação plausível e frequentemente simplificada do clima futuro, baseado num conjunto de relações climatológicas internamente consistentes, construída para uso explícito na investigação das potenciais consequências de alterações climáticas antropogénicas. Os cenários são construídos a partir de projeções climáticas e são frequentemente utilizados em modelos de impacte climático.

Clima:

Descrição estatística do tempo em termos de valores médios e variabilidade de quantidades relevantes ao longo de um intervalo de tempo que pode ir de meses a milhões de anos. O período convencional definido pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM) é de 30 anos.

Seca:

Fenómeno que se produz quando a precipitação está significativamente abaixo dos níveis normalmente registados, causando graves desequilíbrios hidrológicos que afetam de forma negativa os sistemas terrestres de produção de recursos.

Potencial económico:

Parte do potencial tecnológico para a redução das emissões de gases com efeito de estufa (ou melhoramentos na eficiência energética) que pode ser concretizada de forma económica com a criação de mercados, redução de imperfeições nos mercados ou aumento de transferências financeiras e tecnológicas.

Oscilação Meridional – El Niño (ENSO):

Um fenómeno de interação oceano/atmosfera associado a uma flutuação dos níveis de pressão à superfície na zona intertropical e à circulação nos oceanos Pacífico e Índico. Durante o fenómeno de El Niño, ocorre um enfraquecimento dos ventos alísios predominantes e o fortalecimento da contracorrente do equador, fazendo com que as águas quentes superficiais na zona da Indonésia fluam para Este e cubram as águas frias das correntes do Peru. Este fenómeno tem um grande impacto nos ventos, na temperatura da água do mar à superfície e nos níveis de precipitação do Pacífico tropical. Tem efeitos climáticos em toda a região do Pacífico e em muitas outras partes do mundo. O fenómeno oposto ao El Niño chama-se La Niña.

Cenário de emissões:

Representação plausível da evolução futura das emissões de substâncias que têm potencialmente atividade radiativa (por exemplo, gases com efeito de estufa ou aerossóis), baseada num conjunto de hipóteses coerentes e internamente consistentes sobre as forças impulsoras deste fenómeno (tais como o desenvolvimento demográfico e socioeconómico, as alterações tecnológicas) e as suas relações chave.

Emissões:

No contexto das alterações climáticas, entende-se por emissões a libertação de gases com efeito de estufa e/ou os seus precursores e aerossóis para a atmosfera numa zona e ao longo de um intervalo de tempo específicos.

Endémico:

No âmbito da saúde humana, endémico refere-se à prevalência contínua de uma doença numa população ou área geográfica.

Epidémico:

Ocorrência de um número de casos anormalmente elevado. Refere-se especialmente a doenças infeciosas, mas também se aplica a qualquer doença, lesão ou fenómeno relacionados com a saúde que ocorra durante esses surtos.

Eutrofização:

Processo através do qual ocorre o aumento excessivo da quantidade de nutrientes dissolvidos em massas de água, verificando-se uma deficiência sazonal do oxigénio dissolvido.

Evento meteorológico extremo:

Fenómeno raro dentro da sua distribuição estatística de referência num determinado lugar. Um fenómeno meteorológico extremo seria normalmente tão raro ou mais raro do que o percentil 10 ou 90. Um fenómeno climático extremo é uma média de uma série de fenómenos meteorológicos num período concreto, normalmente uma média que é ela própria extrema.

Insegurança alimentar:

Situação que existe quando as pessoas carecem de acesso seguro a quantidades suficientes de alimentos sãos e nutritivos para o crescimento e desenvolvimento normais e para uma vida saudável e ativa. Pode ser causada por indisponibilidade de alimentos, poder de compra insuficiente, distribuição inadequada ou uso inadequado dos alimentos a nível do agregado familiar. A insegurança alimentar pode ser crónica, sazonal ou transitória.

Modelo de Circulação Geral (GCM):

Modelo matemático da circulação geral da atmosfera do planeta ou dos oceanos. Normalmente, baseia-se nas equações de Navier-Stokes, com termos termodinâmicos para as diferentes fontes de energia. Estas equações servem de base a complexos programas informáticos normalmente utilizados para simular a atmosfera ou os oceanos da Terra.

Circulação geral:

Movimentos em grande escala da atmosfera e dos oceanos em consequência do aquecimento diferencial na Terra em rotação, com o objetivo de restabelecer o equilíbrio energético do sistema através do transporte de calor e do impulso.

Temperatura global à superfície:

Média global ponderada, com base na área, composta: (a) pela temperatura da superfície dos oceanos (isto é, temperatura subsuperficial geral nos primeiros metros dos oceano) e (b) pela temperatura do ar na superfície terrestre 1,5 m acima do nível do solo.

Potencial de Aquecimento Global (GWP):

Índice que descreve as características radiativas dos gases com efeito de estufa bem misturados e que representa o efeito combinado dos diferentes tempos que estes gases permanecem na atmosfera e a sua eficácia relativa na absorção das radiações infravermelhas. Este índice aproxima o efeito de aquecimento integrado no tempo de uma unidade de massa de um dado gás com efeito de estufa na atmosfera atual relativamente a uma unidade de dióxido de carbono.

Gases com efeito de estufa:

Gases que fazem parte da atmosfera (de origem natural e antropogénica), que absorvem e emitem radiação em comprimentos de onda específicos no espetro de radiação infravermelha emitido pela superfície da Terra, a atmosfera e as nuvens. Esta propriedade dos gases causa o efeito de estufa.

Hidrosfera:

Componente do sistema climático constituída por superfície líquida e águas subterrâneas, tais como os oceanos, mares, rios, lagos de água doce, águas subterrâneas, etc.

Povos indígenas:

População cujos antepassados habitavam um território no momento em que pessoas de cultura ou etnia diferente chegaram e os dominaram por meio de conquista, estabelecimento ou outras formas e que atualmente vivem mais em conformidade com os seus hábitos e tradições sociais, económicos e culturais do que com os do país do qual fazem parte no presente.

Radiação infravermelha:

Radiação emitida pela superfície da terra, a atmosfera e as nuvens. Também é conhecida como radiação terrestre ou de onda longa. A radiação infravermelha tem uma gama de comprimentos de onda (também chamada espetro) distinta que é mais longa do que o comprimento de onda da cor vermelha na parte visível do espetro.

Avaliação integrada:

Um método de análise que combina resultados e modelos das ciências físicas, biológicas, económicas e sociais e as interações entre estes componentes, num quadro consistente, para avaliar o estado e as consequências das alterações climáticas e as respostas das políticas às mesmas.

Uso do solo:

Disposições, atividades e insumos aplicados num certo tipo de cobertura do solo, normalmente por humanos. Também pode ser interpretado como objetivos sociais e económicos para os quais é gerido o solo, por ex., pastoreio, extração de madeira e conservação.

Alteração do uso do solo:

Uma alteração no uso ou gestão do solo por humanos, que pode levar a alterações na cobertura do solo. A cobertura do solo e a alteração do uso do solo podem ter impacto no albedo, evapotranspiração, fontes e sumidouros de gases com efeito de estufa ou outras propriedades do sistema climático, podendo igualmente ter consequências no clima, a nível local ou global.

Litosfera:

Camada exterior da Terra sólida, tanto continental como oceânica, composta pela crusta terrestre e a camada fria e maioritariamente plástica do manto superior. A atividade vulcânica, embora faça parte da litosfera, não é considerada parte do sistema climático, mas atua como um fator de forçagem externo.

Atenuação:

Intervenção antropogénica para reduzir as fontes ou melhorar os sumidouros de gases com efeito de estufa. Desta forma, a atenuação das alterações climáticas pode ser definida como as intervenções antropogénicas cujo objetivo principal é reduzir os efeitos das alterações climáticas.

Capacidade de atenuação:

Estruturas e condições sociais, políticas e económicas que são necessárias para uma atenuação eficaz.

Monção:

Vento na circulação geral da atmosfera caracterizado por uma direção persistente do vento sazonal e uma mudança acentuada na direção de uma estação para a outra.

Emissões de dióxido de carbono líquidas:

Diferença entre fontes e sumidouros de dióxido de carbono durante um determinado período e numa área ou região específica.

Camada de ozono:

A estratosfera contém uma camada na qual a concentração de ozono é maior, a chamada camada de ozono. A camada estende-se de 12 a 40 km. A concentração de ozono atinge o seu máximo entre 20 e 25 km. Esta camada está a ser reduzida por emissões de compostos de cloro e bromo de origem antropogénica.

Ozono:

Forma triatómica do oxigénio (O3), é um componente gasoso da atmosfera. É criado na troposfera, naturalmente ou por reações fotoquímicas envolvendo gases resultantes das atividades humanas («smog» fotoquímico). O ozono troposférico atua como um gás com efeito de estufa. Na estratosfera, o ozono é criado pela interação entre a radiação solar ultravioleta e o oxigénio molecular (O2). O ozono estratosférico tem um papel decisivo no equilíbrio da radiação estratosférica. A sua concentração é mais elevada na camada de ozono. O empobrecimento da camada de ozono estratosférico, devido a reações químicas que podem ser intensificadas pelas alterações climáticas, resulta num aumento do fluxo a nível do solo da radiação UV-B.

Parametrização:

Em modelos do clima, este termo refere-se à técnica de representação de processos, que não podem ser resolvidos de forma explícita na resolução espacial ou temporal do modelo (processos em escala de subgrelha), pelas relações entre os efeitos das médias temporais ou espaciais desses processos em escala de subgrelha e o fluxo de maior escala.

Alterações climáticas rápidas:

A não linearidade do sistema climático pode levar a alterações climáticas rápidas, às vezes chamadas de fenómenos repentinos ou mesmo surpresas. Alguns desses fenómenos repentinos podem ser imagináveis, tais como a reorganização drástica da circulação termoalina, desglaciação rápida ou degelo massivo do permafrost, levando a rápidas mudanças no ciclo de carbono. Outros podem ser verdadeiramente inesperados, como consequência da forçagem forte e em rápida mudança de um sistema não linear.

Resiliência:

Quantidade de alterações que um sistema pode suportar sem alterar o seu estado.

Cenário:

Uma descrição plausível e frequentemente simplificada de como o futuro poderá se desenvolver com base num conjunto coerente e internamente consistente de hipóteses sobre forças motrizes essenciais (por exemplo, o ritmo de avanço tecnológico, preços) e relações. Os cenários não são previsões nem prognósticos e às vezes podem basear-se num «guião narrativo». Os cenários podem derivar de projeções, mas muitas vezes são baseados em informações adicionais de outras fontes.

Sumidouro:

Qualquer processo, atividade ou mecanismo que remova um gás com efeito de estufa, um aerossol ou um precursor de um gás com efeito de estufa ou aerossóis da atmosfera.

Estratosfera:

Região altamente estratificada da atmosfera acima da troposfera que se estende desde cerca de 10 km (variando entre 9 km em latitudes altas e 16 km nos trópicos, em média) a cerca de 50 km.

Escoamento superficial:

Água que se desloca sobre a superfície do solo para a corrente superficial mais próxima; escoamento de uma bacia de drenagem que não passou sob a superfície desde que ocorreu precipitação.

Troposfera:

A parte mais baixa da atmosfera desde a superfície até cerca de 10 km de altitude em latitudes médias (variando entre 9 km em latitudes altas e 16 km nos trópicos, em média), onde ocorrem nuvens e os fenómenos «meteorológicos». Na troposfera, a temperatura geralmente diminui com a altitude.

Incerteza:

Expressão do grau em que um valor (por exemplo, o estado futuro do sistema climático) é desconhecido. A incerteza pode ser resultado de falta de informação ou de desacordo sobre o que é ou o que pode ou não ser conhecido. Pode ter muitas origens, desde erros quantificáveis nos dados a conceitos ou terminologias definidos de forma ambígua ou projeções incertas do comportamento humano. A incerteza pode ser representada por valores quantitativos (por exemplo, um intervalo de valores calculados através de diferentes modelos) ou de forma qualitativa (por exemplo, a opinião de uma equipa de especialistas).

Vulnerabilidade:

Nível em que um sistema é suscetível ou não é capaz de suportar os efeitos adversos das alterações climáticas, incluindo a variabilidade climática e os fenómenos extremos. A vulnerabilidade é uma função do caráter, magnitude e velocidade da variação climática a que se encontra exposto um sistema, a sua sensibilidade e capacidade de adaptação.

Stress hídrico:

Um país sofre stress hídrico se a quantidade de água doce disponível em relação à captação de água atua como uma limitação importante ao seu desenvolvimento. A captação de quantidades de água superiores a 20% do abastecimento de água renovável tem sido utilizada como um indicador de stress hídrico.

Eficiência de uso de água:

Aumento do carbono na fotossíntese por unidade de água perdida na evapotranspiração. Pode ser expressada a curto prazo como a razão de aumento de carbono fotossintético por unidade de perda de água por transpiração ou sazonalmente como a relação entre a produção primária líquida ou rendimento agrícola e a quantidade de água disponível.